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Chocolate sabor cacau: o que muda no mercado de “sabor chocolate”
Chocolate sabor cacau: o que muda no mercado de “sabor chocolate”
18/03/2026

O conceito de chocolate no Brasil pode estar prestes a passar por uma transformação significativa. Um Projeto de Lei (PL) em tramitação no Congresso Nacional propõe que, para que um produto seja oficialmente considerado chocolate, ele contenha no mínimo 30% de cacau em sua composição.A proposta surge como resposta à ampla presença, no mercado brasileiro, de produtos com baixo teor de cacau, mas comercializados como chocolate. Na prática, muitos desses itens utilizam substitutos como gorduras vegetais e aromatizantes, resultando nos chamados produtos “sabor chocolate”.Caso aprovado, o PL tende a alinhar o Brasil a padrões mais exigentes de qualidade, reforçando a importância do cacau como ingrediente central e valorizando tanto o produto final quanto toda a cadeia produtiva.Essa possível mudança já gera debates no setor, envolvendo indústria, produtores e consumidores, e pode representar um marco para o mercado de cacau e chocolate no país.Essa exigência de 30% de cacau (ou sólidos de cacau, dependendo da categoria do produto), busca diferenciar o chocolate verdadeiro de produtos conhecidos como “sabor chocolate”, que utilizam substitutos mais baratos, como gorduras vegetais e aromatizantes.A medida tem implicações relevantes não apenas para a indústria alimentícia, mas também para produtores de cacau, especialmente em um momento de valorização da matéria-prima no mercado global.Contexto da legislação brasileiraNo Brasil, a regulamentação de chocolate é definida principalmente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), com base em normas técnicas que estabelecem identidade e qualidade dos alimentos.De acordo com essas normas: Chocolate deve conter derivados de cacau (massa, manteiga ou pó) em proporções mínimas Produtos que não atingem esses níveis não podem ser rotulados como chocolate Esses produtos devem utilizar denominações como: “cobertura sabor chocolate” “produto sabor chocolate” Essa distinção visa evitar que o consumidor seja induzido ao erro, garantindo maior transparência no mercado.O problema dos produtos “sabor chocolate”Antes da regulamentação mais rigorosa, era comum encontrar no mercado produtos com baixo teor de cacau, mas comercializados como chocolate.Esses produtos geralmente apresentam: Alto teor de açúcar Uso de gorduras vegetais no lugar da manteiga de cacau Aromatizantes artificiais Baixo valor nutricional Do ponto de vista técnico, esses produtos não entregam as características sensoriais do cacau, como: amargor equilibrado complexidade aromática notas frutadas, florais ou terrosas Além disso, a substituição da manteiga de cacau altera propriedades importantes como textura, ponto de fusão e sensação na boca.Impactos para o setor do cacau1. Aumento da demanda por cacau realCom a exigência de um teor mínimo de cacau, a indústria precisa utilizar mais matéria-prima legítima.Isso tende a gerar: maior demanda por amêndoas de cacau valorização do produto no mercado interno estímulo à produção nacional Para produtores, especialmente os de cacau fino, isso representa uma oportunidade estratégica.2. Incentivo à qualidadeA legislação não apenas aumenta o uso de cacau, mas também estimula a busca por qualidade.Indústrias que desejam se diferenciar no mercado passam a investir em: cacau de origem controlada fermentação adequada rastreabilidade perfis sensoriais diferenciados Isso abre espaço para sistemas como: cacau fino cacau de origem única (single origin) certificações de qualidade 3. Pressão sobre produtos de baixo custoEmpresas que trabalham com produtos mais baratos enfrentam desafios: reformulação de receitas aumento de custos de produção necessidade de reposicionamento de marca Muitas acabam migrando para categorias como “cobertura sabor chocolate”, que têm menor exigência técnica, mas também menor valor percebido.Por que o teor de cacau importa?O cacau é a base do chocolate não apenas como ingrediente, mas como definidor de qualidade.Quanto maior o teor de cacau: menor o teor de açúcar maior a concentração de compostos bioativos (polifenóis, flavonoides) mais intenso o sabor Do ponto de vista sensorial, o cacau é responsável por: aroma característico complexidade de sabor equilíbrio entre amargor e acidez Produtos com baixo teor de cacau tendem a ser mais doces e menos complexos, o que reduz sua qualidade percebida.Impactos para o consumidorPara o consumidor, a legislação traz benefícios claros: maior transparência na rotulagem melhor entendimento do produto comprado acesso a produtos de maior qualidade No entanto, também pode haver: aumento de preços em produtos considerados “chocolate verdadeiro” maior diferenciação entre categorias no mercado Isso contribui para uma educação do consumidor, que passa a reconhecer melhor o valor do cacau.Possíveis consequências futurasA tendência é que o mercado brasileiro siga o padrão internacional, onde há maior valorização do cacau e do chocolate de qualidade.Entre os desdobramentos esperados:1. Crescimento do chocolate premium aumento da demanda por chocolates com alto teor de cacau valorização de marcas artesanais expansão do mercado bean-to-bar 2. Maior valorização do cacau brasileiroO Brasil, especialmente regiões como Bahia e Pará, pode se beneficiar com: aumento da demanda interna melhor remuneração ao produtor incentivo à produção sustentável 3. Consolidação da diferenciação de mercadoA divisão entre: chocolate verdadeiro produtos sabor chocolate deve se tornar cada vez mais clara, tanto para consumidores quanto para a indústria.ConclusãoA exigência de um teor mínimo de cacau para que um produto seja considerado chocolate representa um avanço importante para o setor.Ela protege o consumidor, valoriza a matéria-prima e fortalece toda a cadeia produtiva do cacau.Para produtores brasileiros, especialmente aqueles focados em qualidade, o cenário é positivo: mais demanda, maior reconhecimento e oportunidades de diferenciação.No longo prazo, essa mudança pode contribuir para posicionar o Brasil não apenas como produtor de volume, mas como referência em qualidade de cacau e chocolate.Fontes e referências ANVISA. Regulamentos técnicos de identidade e qualidade de chocolate e produtos derivados. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Normas para produtos de cacau e chocolate. Beckett, S. T. (2008). The Science of Chocolate. Royal Society of Chemistry. Afoakwa, E. O. (2010). Chocolate Science and Technology. Wiley-Blackwell. ICCO – International Cocoa Organization (2022–2024). Relatórios sobre mercado global de cacau. Embrapa (diversas publicações). Produção e qualidade do cacau no Brasil.

Comissão baiana do cacau alinha estratégias para fortalecer defesa dos produtores e da produção nacional
Comissão baiana do cacau alinha estratégias para fortalecer defesa dos produtores e da produção nacional
17/03/2026

Nesta segunda-feira (16), integrantes da comissão baiana que acompanha a tramitação do Projeto de Lei nº 1.769/2019, conhecido como PL do Cacau, reuniram-se na Governadoria, em Salvador, para discutir estratégias de articulação, alinhar posicionamentos e fortalecer a defesa das propostas apresentadas pelo estado no Congresso Nacional.  Presidida pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, a comissão é formada por representantes do setor produtivo, parlamentares, gestores estaduais e entidades ligadas à cadeia da cacauicultura. A iniciativa busca garantir que o novo marco regulatório do setor contemple as demandas dos produtores brasileiros e contribua para a valorização da produção nacional. Durante o encontro, o diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Jeandro Ribeiro, destacou avanços recentes para o setor cacaueiro na Bahia e ressaltou a importância da mobilização institucional em torno da pauta no Congresso. “Debatemos conquistas recentes, como a suspensão da importação de cacau e a alteração no prazo do drawback, anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do ministro Rui Costa e do governador Jerônimo Rodrigues. Também tratamos do Projeto de Lei nº 1.769/2019, que regulamenta o chocolate no país. Nosso compromisso é garantir que a legislação avance protegendo quem produz e valorizando o cacau brasileiro”, afirmou. A proposta estabelece parâmetros mínimos de cacau nos produtos comercializados como chocolate no Brasil, além de regras de rotulagem, o que deve ampliar a transparência para o consumidor e contribuir para a valorização da produção nacional. A cadeia produtiva do cacau possui forte presença no sul da Bahia e representa importante fonte de renda para milhares de produtores e trabalhadores rurais. Entre as contribuições apresentadas pelo grupo baiano e já incorporadas ao projeto estão ajustes técnicos na definição dos chamados “sólidos totais de cacau”. Também foram propostas mudanças na nomenclatura de produtos derivados, com o objetivo de estabelecer critérios mais claros para a composição dos chocolates comercializados no país. A expectativa é de que o projeto avance nas próximas etapas de tramitação no Congresso Nacional, consolidando um novo marco regulatório para o setor cacaueiro no Brasil. “A comissão apresentou sugestões que foram acatadas pelo relator do projeto, o deputado Daniel Almeida, e que agora devem ser apreciadas nas próximas etapas de votação no Congresso”, explicou Jeandro Ribeiro. MP do Drawback A medida provisória que trata do regime de drawback, publicada em 12 de março de 2026, busca manter a competitividade das exportações brasileiras, com a ampliação de prazos e a redução de impactos tributários para empresas exportadoras. O mecanismo permite a suspensão ou isenção de tributos sobre insumos importados utilizados na produção de bens destinados à exportação. Fonte: SECOM BA

Produção de cacau do Pará aumenta 4%, aponta Sedap
Produção de cacau do Pará aumenta 4%, aponta Sedap
02/03/2025

Foto: Pedro Guerreiro / Ag. ParáDe fundamental importância para a cadeia produtiva no Pará, o Relatório Anual da Safra do Cacau no Estado do Pará – fruto de parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) – mostra que a produção obteve um aumento de 3,8% a mais entre os anos de 2023 e o de 2024 (de 138.449 toneladas para 143.675 toneladas). O levantamento apresenta um acréscimo de 8.172 hectares (5,1% de um ano para outro) de cacaueiros que entraram em produção. O relatório integra o projeto “Previsão de Safra do Cacau no Estado do Pará”, coordenado pela Sedap. Faz um levantamento de campo para mostrar a produção da cultura agrícola no Estado, como explicou o coordenador do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Cacauicultura no Pará (Procacau), engenheiro agrônomo Ivaldo Santana. É apoiado financeiramente pelo Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura no Pará (Funcau).  “Esse relatório é fechado na Ceplac, mas é de autoria conjunta e traz os números atualizados, porque outras instituições privadas questionam os dados relativos à produção no Pará, mas  queremos apresentar os nossos próprios números e por isso fazemos todos os anos o trabalho de previsão de safra, diretamente no campo”, esclareceu Santana.Representatividade – O coordenador do Procacau observou que o trabalho de previsão de safra abrange os municípios assistidos pela Ceplac, da qual fazem parte os maiores produtores de cacau, como Altamira, Medicilândia e Uruará, por exemplo (que estão localizados na Região de Integração do Xingu, na extensão da rodovia BR-230, conhecida popularmente como Transamazônica). Os dados apresentados no relatório de safra são positivos, como avaliou o coordenador do Procacau. O Pará tem a maior média de produtividade por hectare do mundo, conforme ressaltou Santana. “Na região que executamos o levantamento de dados da previsão de safra, temos em torno de 87,5% da produção de amêndoas de cacau do Estado. A gente compara com todos os países produtores e inclusive com o Estado da Bahia, e a nossa média está lá em cima. Isso é muito bom”, avaliou o engenheiro agrônomo.Com o aumento do preço do cacau – que triplicou em função de problemas climáticos no continente africano, o produtor do Pará tem se empenhado bastante para aumentar sua produção, como observou Santana. “Está plantando mais e a gente espera uma safra recorde em nosso estado no ano de 2025”, previu o servidor da Sedap.Nivelamento- De acordo com o autor do relatório pela Ceplac, engenheiro agrônomo Fernando Antônio Mendes, os resultados apresentados pelo relatório permitem aferir que, considerando a dimensão do Estado, bem como as suas cinco distintas regiões produtoras (Transamazônica, oeste do Pará, nordeste paraense, região das ilhas e sudoeste do Pará), “uma das mais importantes tarefas dos prestadores de assistência técnica e extensão rural (Ater) será a de nivelar o padrão de produtividade entre essas regiões”. O projeto tem como missão principal, manter e dar continuidade às estatísticas estaduais da produção cacaueira, segundo informou, e assim possibilitar aos gestores envolvidos na cadeia desenvolver seus planejamentos, segundo observou.“Esse relatório é parte integrante do compromisso da Ceplac ao assessoramento técnico do Projeto Previsão de Safra de Cacau no Estado do Pará, coordenado pela Sedap, para o ano de 2024”, detalhou. Previsão de Safra no Estado do Pará em númerosProdução de cacau- de 138.449 toneladas em 2023 para 143. 675 em 2024 – variação de 3,8%Os municípios que fizeram parte da amostra apresentadas no relatório são: Altamira, Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Vitória do Xingu, Anapu, Placas, Rurópolis, Aveiro (Fordlândia), Tucumã e Tomé-Açu. Essas 12 localidades representam 87,5% de toda a produção de cacau no estado do Pará prospectada. 43 produtores foram abrangidos pelo estudo, num total de 215 plantas prospectadasTransamazônica lidera a produção no Pará com 86,6%; em seguida o sudeste do estado (7,0%), a região nordeste do Pará (3,6%), a região das ilhas (1,9%) e o oeste do Pará (0,9%). Serviço: O Relatório Anual da Safra do Cacau do estado do Pará pode ser encontrado neste link.  

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